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O Peso Insuportável do seu Troféu de Guerreira
Vamos ser honestas com nós mesmas?

Mini Férias em Bom Jardim da Serra, Santa Catarina
Existe uma frase que, aos ouvidos de qualquer outra pessoa, soaria como música, mas para você, ultimamente, tem soado como uma sentença.
Sabe aquele momento em que você resolve o problema impossível no trabalho, gerencia a crise familiar, paga os boletos e ainda sobra tempo para ouvir o desabafo de uma amiga?
Alguém te olha com admiração e diz: “Nossa... você é uma verdadeira guerreira, eu não sei como você dá conta.” (É com você que eu quero falar hoje)
Você sorri, agradece e se duvidar, estufa o peito e diz “iu só como eu dou conta de tudo mesmo” pois é o script social que aprendemos a seguir.
Mas, por dentro, no silêncio que só você escuta quando coloca a cabeça no travesseiro, existe uma exaustão que não é apenas física.
Porque você sabe o custo desse título, mesmo que não confesse. Você sabe que, nas entrelinhas, “ser guerreira” virou um código elegante para aquela que aguenta o inaguentável sozinha.
Tornou-se a justificativa perfeita para que o mundo ao seu redor relaxe, enquanto você entra em colapso silencioso. Afinal, “você é forte, você resolve, você é perfeita”.
Esse troféu, que parecia tão brilhante quando você era mais jovem e queria provar seu valor, hoje pesa toneladas.
A regra implícita desse título é cruel: guerreiras não pedem pausa, guerreiras não são frágeis, e, o mais doloroso de tudo: guerreiras raramente são cuidadas…
Mas e se eu te dissesse que essa força descomunal que todos aplaudem não é uma virtude estoica, mas sim um mecanismo de defesa que esqueceu como desligar?